quarta-feira, 7 de outubro de 2015

JK: A imaginação no poder - Entrevista com Cláudio Bojunga


JK: A imaginação no poder - Entrevista com Cláudio Bojunga

Ao descrever a personalidade de Juscelino, o jornalista carioca Cláudio Bojunga, autor da biografia de Juscelino JK: o artista do impossível (São Paulo: Objetiva, 2001), afirma nesta entrevista que "ele era muito informal, tinha uma maneira muito espontânea de tratar os outros, não fazia pose". E conta como ficou impressionado com a morte de Juscelino: "Tudo o que houve em torno do caixão dele foi a primeira campanha das diretas. Ele mobilizou o Brasil depois de morto". 
Cláudio Bojunga formou-se em Direito e estudou Política Internacional no Instituto de Estudos Políticos de Paris. Jornalista desde 1969, trabalhou como repórter, redator, crítico e correspondente internacional. Foi editor especial da Veja, diretor de jornalismo da TVE e editorialista do Jornal do Brasil. Escreveu o texto do filme Os anos JK, de Silvio Tendler, e realizou documentários e séries para a TV. Também é autor dos livros Viagem à China aberta. São Paulo: Brasiliense, 1974 e Viagem ao Brasil desconhecido. São Paulo: Alfa-Omega, 1978, em parceria com Fernando Portela. A entrevista a seguir foi concedida por telefone à redação da IHU On-Line. 
IHU On-Line - O senhor levou uma década para escrever JK: o artista do impossível. O que mais marcou nesse período? Quais foram os pontos da biografia de Juscelino Kubitschek que mais o impressionaram? 
Cláudio Bojunga - As coisas que mais me impressionaram na biografia dele foram a vocação e o temperamento democráticos. Tivemos, ao mesmo tempo, um presidente que conseguiu unir três coisas que nunca mais andaram juntas. A primeira é uma presidência marcada por um extraordinário desenvolvimento econômico por meio do Plano de Metas, que mudou o Brasil de patamar. Acredito que isso consolidou o Brasil como um país industrial, coisa que ele não era na época do café. Uma segunda característica é a de que ele foi um presidente absolutamente respeitador da regra de ouro da democracia, que é o Estado de Direito. Ele nunca infringiu essa regra. Esses dois aspectos já andaram juntos algumas vezes. Entretanto, aconteceu também uma terceira face, que nunca mais se repetiu: a idade de ouro da cultura brasileira, ou seja, aquele período foi marcado por uma explosão de criatividade nas artes plásticas, na poesia, na música popular e na arquitetura. Aqui me refiro a Oscar Niemeyer em Brasília, na Bossa Nova, com João Gilberto e Tom Jobim, e até no futebol, com Garrincha e Pelé jogando juntos. Todas essas proezas que aconteceram na segunda metade da década de 1950, foram muito inspiradas por essa idéia de que o Brasil podia dar certo. Foi uma época marcada pela imaginação. Talvez por isso que se chame "anos dourados". 
Amizade e parceria com os artistas
O que considero impressionante no personagem central do meu livro, o Juscelino Kubitschek, é que ele sempre foi parceiro dos artistas, muito mais do que dos economistas e dos sociólogos, como é a regra normalmente. Ele tinha, inclusive, como principal conselheiro na presidência um poeta, o Augusto Frederico Schmidt . Sempre foi rodeado de escritores e arquitetos. Tinha algo de renascentista nisso, que foi o que eu procurei apreender. Eu brinco chamando esse de o único momento de exceção no País. O governo de exceção, no nosso caso, foi o grande governo do século XX. 
IHU On-Line - O sociólogo Francisco de Oliveira observou que, "surpreendentemente", uma das principais referências da esquerda brasileira hoje é Juscelino Kubitschek", numa óbvia referência ao governo Lula . O que o senhor acha dessa afirmação? 
Cláudio Bojunga - Isso é muito inteligente da parte dele. O Juscelino era um político de Minas, de Diamantina, uma cidade que é impossível ser mais e colonial. Ele fez parte do PSD, que era o partido por excelência conservador, um dos grandes partidos que o Vargas criou, que juntava todas as oligarquias estaduais, tinha uma em cada estado. No entanto, Juscelino foi um homem que, em certo sentido, traiu esse conservadorismo, porque, na verdade, da colonial e barroca Diamantina ele criou a modernista Brasília, sinalizando esse salto para o futuro. O que a esquerda realmente renovadora quer é retomar isso, essa imaginação e essa crença no Brasil. Juscelino acreditava no Brasil. Quando os americanos, que estavam tentando, num determinado ritmo, fazer o Lago Paranoá, disseram que ele não ia ficar pronto para a inauguração de Brasília, Juscelino dispensou-os e chamou empresários brasileiros que disseram que fariam. E fizeram. Essa ousadia é o que está faltando. Disso o Brasil gosta muito, dessas coisas que trazem segurança, certeza e esse compromisso com o futuro. Juscelino dizia que não havia abismos que engolissem o Brasil. Quando o Lula concorreu com o Fernando Henrique, ele disse, assim como todos os candidatos disseram, que o presidente devia seguir o modelo de Juscelino. Existe ainda hoje a procura de um dinamismo, um certo sonho e um certo compromisso com a inovação. Quando Francisco de Oliveira disse isso, ele estava sabendo o contexto em que as coisas se deram. Juscelino foi um presidente que assumiu com todas as dificuldades, com tentativa de golpe, contragolpe, duas rebeliões na Aeronáutica... O Lula assumiu com um Brasil estabilizado. É outra coisa. Juscelino teve que encantar o País, quase que hipnotizar um país marcado, traumatizado pelo suicídio do Getúlio, aquela coisa terrível. Era um Brasil muito difícil. 
Juscelino e a reforma agrária 
É uma bobagem enorme quando criticam Juscelino por não ter feito reforma agrária. Existem certas coisas, em certos momentos, que estão fora do horizonte do possível. É a mesma coisa que pedir ao presidente Franklin Roosevelt , que foi um grande presidente dos Estados Unidos, que ele desse partida na campanha dos direitos civis nos anos 1930, com a depressão. Não era possível. Tanto é que esse problema só foi se colocar nos anos 1960. É evidente que certas coisas o Juscelino não podia fazer, mas o que ele fez bastou para que a sua se tornasse uma presidência paradigmática. 
IHU On-Line - E por que o senhor acha que a reforma agrária não era viável na época? 
Cláudio Bojunga - Não havia a menor possibilidade. Uma das bases de sustentação do governo, que era o PSD, era do poder agrário. Foi preciso, antes, um modelo industrial predominar para que o equilíbrio de forças internas desse condições para uma aliança entre povo, classe média, classe trabalhadora e campesinato. Mas era preciso também se apoiar em políticos da elite, que não tinham mais compromisso com o mundo agrário. Aquilo naquela época não havia, era o Brasil do café ainda. Era o Brasil que Portinari pintou. Não é impossível, mas em geral não há voluntarismo que prevaleça. É como aquela frase do Marx : "a gente só cria problemas que está apto a resolver". 

IHU On-Line - O senhor afirma que o livro pretende refutar as infâmias e reparar injustiças contra Juscelino Kubitschek. Que injustiças foram essas?
Cláudio Bojunga - São três fundamentais, inventadas tanto pela direita quanto pela esquerda. Uma é a de que ele foi corrupto. Eu provo no livro que ele não foi. Eu estudei todos os processos que os militares fizeram para ele. Isso é uma infâmia e ele foi brilhantemente defendido pelo doutor Sobral Pinto , que não tem a reputação de ser desonesto. A segunda infâmia é a de que ele é a gênese da inflação brasileira. Isso é conversa fiada. Aquela inflação que chegou a 30% ao ano, no auge da construção de Brasília, não tem nada a ver com a inflação do Sarney, de 25% ao mês. O Brasil já tinha sido estabilizado. E a terceira infâmia, essa mais burra ainda, é a de que ele teria feito o jogo do imperialismo ao trazer as montadoras para o Brasil. Todos os economistas sérios já mostraram que substituir o empréstimo pelo investimento de risco do capital estrangeiro é muito mais negócio. É o credor que controla o devedor. Enquanto no capital de risco, que é o que aconteceu em São Paulo, sobretudo, quem controla o risco é quem investe. Hoje os estados leiloam para ver quem vai ficar com a fábrica e ninguém acha isso errado. Houve essa burrice de achar que fazer isso era ser entreguista, como se dizia na época, uma bobagem monumental. E tem mais, o Lula, eu brinco que é neto do Juscelino, porque se não fosse o Juscelino ele estaria em Caruaru até hoje. Ele é um produto sindical de uma economia moderna que foi fundada por Juscelino. 

IHU On-Line - O senhor acredita que é possível estabelecer algum parâmetro de comparação entre JK, FHC e Lula? 
Cláudio Bojunga - Não, não, não. Eu soube de algo lá em Brasília, não posso citar o nome, mas foi um embaixador que me contou, que, às vezes, conversava com Fernando Henrique. FHC dizia que, certamente, tinha feito um governo para o bem do Brasil, procurando o interesse nacional, mas ele gostaria mesmo era de ter deixado uma marca como Juscelino deixou. Fernando Henrique foi um estabilizador, ele botou o Brasil no spa, em uma espécie de regime de emagrecimento, que, às vezes, faz bem para a saúde, mas é uma desconstrução. Na verdade, faltou essa dimensão da ousadia e da imaginação. E quanto ao Lula idem. O mundo de hoje nada mais tem a ver com aquele mundo dos anos 1950. Por exemplo, o planejamento estava na moda, tudo saía da idéia do New Deal (O New Deal foram políticas adotadas pelo presidente Franklin Roosevelt para os Estados Unidos saírem da Grande Depressão, a partir de 1933. O New Deal consagrava certa intervenção do Estado nos domínios econômico e social), o que hoje foi deixado de lado em nome do ajuste. Então, são épocas diferentes. O século XX termina em algum lugar entre a queda do muro de Berlim e a dissolução da União Soviética. Fernando Henrique e Lula são presidentes já do século XXI e não mais do século XX. 
IHU On-Line - Juscelino levantou a auto-estima do brasileiro. Que características de sua personalidade pautam essa afirmação?
Cláudio Bojunga - Foram duas coisas: a personalidade dele, o profundo amor e a confiança que ele tinha pelo Brasil e, ao mesmo tempo, todas essas medidas promovidas pelo Plano de Metas, que mudaram o Brasil de patamar. O Brasil, no final do governo dele, tinha já a certeza de que seria um país industrializado e não mais uma fazenda de café.

sábado, 19 de setembro de 2015

Como cuidar de um Bonsai

Como cuidar de um Bonsai
Local adequado
ü      Assim, você precisa escolher um local onde o sol incide diretamente no bonsai, de preferência o sol da manhã ou final da tarde, com no mínimo de duas a três horas de exposição.
ü      Procure evitar o sol do meio dia quando a intensidade dos raios é bem maior.
ü      Evite locais fechados com ar-condicionado.
ü      Já os bonsai de espécies como juníperos e pinheiros devem receber no mínimo 5 horas de sol por dia e NÃO podem ser cultivados em ambientes internos.
Rega
ü      A falta da água é a principal causa da perda do bonsai, em alguns casos o excesso também pode levar ao apodrecimento das raízes e consequentemente a perda da planta.
ü      O certo é verificar diariamente o grau de umidade do solo, colocando o dedo sobre a terra para sentir a umidade.
ü      A rega deve ser feita molhando a planta simulando uma chuva sobre ela. A água vai passar pelas folhas e galhos chegando ao substrato. Devemos regar até que a água escorra pelos furos de drenagem do vaso.
ü      Borrife a copa do bonsai para gerar umidade nas folhas, auxiliando na limpeza da planta.
ü      Caso o bonsai fique sem água por um período grande, a terra do vaso vai endurecer. Para reparar isto, molhe a planta por imersão colocando o vaso dentro de uma bacia grande com água até que toda a terra fique submersa. Aguarde 15 minutos. Depois deixe escorrer e volte a regar normalmente.
ü      Atenção que quando o tempo estiver seco, quente ou ventoso, a evaporação é muito mais rápida.
Adubação
ü      Como toda planta, o bonsai também necessita de adubação para repor os nutrientes, principalmente por conta da quantidade reduzida de substrato.
ü      A adubação deve ser feita utilizando somente adubos recomendados para bonsai e nas dosagens indicadas pelo fabricante.
ü      De forma geral, faça a adubação da primavera até o final do outono. Não adube o bonsai nas regiões com inverno de baixas temperaturas, nesta período as plantas estão em dormência.
ü      Cuidado: O excesso de adubo é extremamente prejudicial e pode levar a perda do bonsai.
ü      Plantas debilitadas não devem ser adubadas. Plantas recém-transplantadas devem aguardar 30 dias para que receba adubo.
Poda de galhos
ü      Seu bonsai vai brotar e crescer e muitos galhos vão alongar fazendo seu bonsai perder um pouco a forma de árvore.
ü      Neste momento será necessário fazer podas para que sua planta mantenha o formato original e sua harmonia.
ü      Faça a poda dos galhos que crescem fora do formato original da copa, utilizando uma tesoura afiada. Esta poda pode ser efetuada em qualquer época do ano.
Poda de raiz
ü      Com o passar do tempo, as raízes do bonsai vão acabar por "tomar" o substrato em função da dimensões reduzidas do vaso.
ü      Para que o bonsai continui vigoroso, é preciso fazer uma poda de parte das raízes e troca do substrato.
ü      Conforme a espécie, é recomendado fazer a poda a cada dois anos. Plantas jovens podem ser transplantadas a cada ano e as mais velhas velhas em maior tempo.


FONTE DE INFORMAÇÃO NO LINK:


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O ABECEDÁRIO DE GILLES DELEUZE



O   ABECEDÁRIO   DE    GILLES    DELEUZE


 O Abecedário de Gilles Deleuze é uma série de entrevistas, feita por Claire Parnet, foi filmada nos anos 1988-1989.

Como diz Deleuze, em sua primeira intervenção, o acordo era de que o filme só seria apresentado após sua morte.

O filme acabou sendo apresentado, entretanto, com o assentimento de Deleuze, entre novembro de 1994 e maio de 1995, no canal (franco-alemão) de TV Arte.

Deleuze morreu em 4 de novembro de 1995.

A primeira intervenção de Claire Parnet foi feita na ocasião da apresentação (1994-1995), enquanto a primeira intervenção de Deleuze é da época da filmagem (1988-1989).
 


Abecedário Deleuze - Letra G (Gauche – Esquerda)


Abecedário Deleuze - P de Professor (Parte 1)


Abecedário Deleuze - Letra A (Animal)


Abecedário Deleuze - Letra B (Beber)


Abecedário Deleuze - Letra C (Cultura)


Abecedário Deleuze - Letra D  (Desejo)



Claire Parnet: Então, vou perguntar de outra forma. Entre seu civismo de homem de esquerda e seu devir-revolucionário, como você faz? O que é ser de esquerda para você?


Gilles Deleuze: Vou lhe dizer. Acho que não existe governo de esquerda. Não se espantem com isso. O governo francês, que deveria ser de esquerda, não é um governo de esquerda.

Não é que não existam diferenças nos governos. O que pode existir é um governo favorável a algumas exigências da esquerda. Mas não existe governo de esquerda, pois a esquerda não tem nada a ver com governo. Se me pedissem para definir o que é ser de esquerda ou definir a esquerda, eu o faria de duas formas.

Primeiro, é uma questão de percepção. A questão de percepção é a seguinte: o que é não ser de esquerda?

Não ser de esquerda é como um endereço postal.

Parte-se primeiro de si próprio, depois vem a rua em que se está, depois a cidade, o país, os outros países e, assim, cada vez mais longe. Começa-se por si mesmo e, na medida em que se é privilegiado, em que se vive em um país rico, costuma-se pensar em como fazer para que esta situação perdure. Sabe-se que há perigos, que isso não vai durar e que é muita loucura.

Como fazer para que isso dure? As pessoas pensam: "Os chineses estão longe, mas como fazer para que a Europa dure ainda mais?" E ser de esquerda é o contrário. É perceber... Dizem que os japoneses percebem assim. Não vêem como nós. Percebem de outra forma. Primeiro, eles percebem o contorno. Começam pelo mundo, depois, o continente... europeu, por exemplo... depois a França, até chegarmos à Rue de Bizerte e a mim. É um fenômeno de percepção. Primeiro, percebe-se o horizonte.


Claire Parnet: Mas os japoneses não são um povo de esquerda...

Gilles Deleuze: Mas isso não importa. Estão à esquerda em seu endereço postal. Estão à esquerda. Primeiro, vê-se o horizonte e sabe-se que não pode durar, não é possível que milhares de pessoas morram de fome. Isso não pode mais durar.

Não é possível esta injustiça absoluta. Não em nome da moral, mas em nome da própria percepção. Ser de esquerda é começar pela ponta. Começar pela ponta e considerar que estes problemas devem ser resolvidos.

Não é simplesmente achar que a natalidade deve ser reduzida, pois é uma maneira de preservar os privilégios europeus.

Deve-se encontrar os arranjos, os agenciamentos mundiais que farão com que o Terceiro Mundo... Ser de esquerda é saber que os problemas do Terceiro Mundo estão mais próximos de nós do que os de nosso bairro. É de fato uma questão de percepção. Não tem nada a ver com a boa alma. Para mim, ser de esquerda é isso. E, segundo, ser de esquerda é ser, ou melhor, é devir-minoria, pois é sempre uma questão de devir.

Não parar de devir-minoritário. A esquerda nunca é maioria enquanto esquerda por uma razão muito simples: a maioria é algo que supõe - até quando se vota, não se trata apenas da maior quantidade que vota em favor de determinada coisa - a existência de um padrão. No Ocidente, o padrão de qualquer maioria é: homem, adulto, macho, cidadão. Ezra Pound e Joyce disseram coisas assim. O padrão é esse. Portanto, irá obter a maioria aquele que, em determinado momento, realizar este padrão. Ou seja, a imagem sensata do homem adulto, macho, cidadão. Mas posso dizer que a maioria nunca é ninguém. É um padrão vazio.

Só que muitas pessoas se reconhecem neste padrão vazio. Mas, em si, o padrão é vazio. O homem macho, etc. As mulheres vão contar e intervir nesta maioria ou em minorias secundárias a partir de seu grupo relacionado a este padrão. Mas, ao lado disso, o que há? Há todos os devires que são minoria. As mulheres não adquiriram o ser mulher por natureza.

Elas têm um devir-mulher. Se elas têm um devir mulher, os homens também o têm. Falamos do devir-animal. As crianças também têm um devir-criança. Não são crianças por natureza. Todos os devires são minoritários.


Claire Parnet: Só os homens não têm devir homem.

Gilles Deleuze: Não, pois é um padrão majoritário. É vazio. O homem macho, adulto não tem devir. Pode devir mulher e vira minoria. A esquerda é o conjunto dos processos de devir minoritário. Eu afirmo: a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo. Ser de esquerda é isso: saber que a minoria é todo mundo e que é aí que acontece o fenômeno do devir. É por isso que todos os pensadores tiveram dúvidas em relação à democracia, dúvidas sobre o que chamamos de eleições. Mas são coisas bem conhecidas.
 

sábado, 29 de agosto de 2015

Mujica é tudo que o Lula, Zé Dirceu, Dilma e PT não são.

Mujica

000mujicaPor Rogerio Dultra dos Santos
Anti-imperialista, anti-proibicionista, anti-capitalista, violador sistemático de protocolos e portador de um desdém profundo pela lógica do consumo, José Alberto Mujica Cordano, ou Pepe Mujica, Ex-Presidente uruguaio, veio hoje ao Rio de Janeiro para “mitar”.
Cercado por uma multidão de jovens ávidos pelo contato com o homem que liberou o consumo da maconha – mas não somente por isto –, foi recebido aos gritos de “Fora Cunha!”, “Não vai ter Golpe!” e “Não acabou! Vai acabar! Pelo fim da Polícia Militar!”.
O público não desapontou. O velho militante também não.
Mujica é uma metralhadora de frases potentes, slogans que falam de independência, liberdade, igualdade, fraternidade, revolução e civilização. É visto como uma espécie de poeta, rock star. Gente da política já chegou a compará-lo com Jesus. Ele exerce, no dizer de um admirador, uma liderança quase espiritual.
De suas ideias, destaco aleatoriamente duas: “Não nascestes somente para estudar, mas para viver. Portanto, tens que ter tempo para o amor!”; “O capitalismo impõe uma cultura que fomenta os seus interesses, o hiper-consumismo. Ele nos faz crer que a felicidade está no consumo. Se sua vida se transforma em pagar contas e trabalhar horas e horas, chegará ao fim dela como um objeto de mercado e terão comprado toda a sua liberdade!”
Mujica une amor, liberdade e política com uma facilidade e com uma verdade difíceis de encontrar em um líder contemporâneo. Assim como várias figuras da esquerda latino-americana e brasileira, é um sobrevivente da ditadura. Diferentemente de muitas delas, teve condição de preservar a sua própria história da sanha destruidora das mídias desde sempre hegemônicas.
Assim, pode-se pensar que Mujica é um espécime único, embora haja indício de que muitos como ele foram silenciados, seja pelas armas, seja por outros meios mais sutis, porém tão ou mais eficazes.
De todas as simbologias que o envolvem, a mais potente é a da reafirmação da política e das lutas dos trabalhadores latino-americanos por mais democracia. Vaticina: “A democracia não é perfeita, porque nós não somos perfeitos. Temos que defender a democracia para melhorá-la e não para sepultá-la.”
Mujica encarna a possibilidade da política suplantar a apatia, o medo, a indiferença. Ao ser visto como um tão jovem quanto todos os que o aplaudiram e tietaram demoradamente, ele reforça e reacende o compromisso que parte importante da juventude militante tem com o país e com seu povo.
Um antídoto perfeito para o projeto reacionário que, de tempos em tempos, insiste em permanecer entre nós.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Dieta Regime Reeducação Alimentar Máximo Ravenna



Dieta Regime Reeducação Alimentar Máximo Ravenna

Dr. Máximo Ravenna é um famoso médico e psicoterapeuta argentino que desenvolveu um programa de dieta que vem fazendo muito sucesso. Sendo que até mesmo o Brasil conta com um Centro Ravenna de atendimento, que tem clientes de todo o país.
Essas pessoas contam com relatos impressionantes, de gente que perdeu peso rapidamente. Dentre elas, uma paciente que firma ter perdido mais de 45 quilos em 7 meses.
A Dieta Ravenna é uma dieta de baixas calorias que provoca o rápido emagrecimento, permitindo que você perca até 3 quilos já na primeira semana. Depois, com a continuação. você pode chegar a emagrecer o quanto desejar, basta seguir a dieta rigorosamente e ter propósitos determinados para alcançar os objetivos. Eles são estabelecidos de acordo com os padrões internacionais, ou seja, depois de uma série de exames é feita a medição das porcentagens de massa magra e gordura corporal e então pode-se estabelecer o peso ideal.
A partir daí, é definida a dieta e o plano de atividades físicas, ambos personalizados de acordo com as necessidades e as características de cada paciente.
Contudo, apesar da Dieta Ravenna ser personalizada, há alguns princípios que norteiam os programas elaborados pelo médico, como por exemplo a redução radical do consumo de produtos que contenham farinha branca, doces e carboidratos. A dieta é organizada em 4 refeições: café da manhã, almoço, café da tarde e jantar.

-      Café da manhã e da tarde: (café, iogurte, 1 fonte de proteína e 1 fruta)
-      Café com leite desnatado e adoçante, omelete de peito de peru e uma fruta;
-      Café com leite desnatado e adoçante, 1 iogurte desnatado e 1 fruta;
-      Café com leite desnatado e adoçante, 2 fatias de queijo branco e 2 fatias de peito de peru;

Almoço e Janta:
-      1 porção de caldo, salada verde (tomate, pepino, alface, agrião, champignon),
-      1 fonte de proteína(carne, frango, peixe, ovo), vegetais (vagem, couve-flor, purê de abóbora,  suflê de cenoura) e sobremesa (ameixa, maçã, abacaxi, morango, damasco, goiaba, pêssego fruta ou compota diet e gelatina).
-      1 prato de caldo de tomate, salada verde, 1 filé de frango com legumes e 1 porção de gelatina light;
-      1 prato de caldo de abóbora, salada verde, 1 filé de alcatra, cenoura refogada, pêssego em calda light;
-      1 prato de caldo de cebola, salada verde, abobrinha gratinada com ricota, 1 fruta;

Além da dieta o programa do Dr. Ravenna inclui 1 hora de malhação diária, dividida em ½ hora de caminhada ou bicicleta ½ hora da atividade de sua preferência.

Alimentos Com Baixo Índice Glicêmico (IG)
A dieta do índice glicêmico funciona para quem quer emagrecer pois sugere alimentos que tenham um valor baixo de IG, ou seja, o organismo terá que trabalhar mais para sugar do alimento o açúcar necessário para transformar em energia, não sobrando reservas para o corpo acumular o que faz engordar, dando barriga, culote e gordura localizada.
Alimentos com índice glicêmico baixo são aqueles com IG menor que 55, os com valor médio ou moderado tem de 56 a 70, e são considerados altos aqueles com mais de 71.
Os carboidratos refinados devem ser evitados pois eles já chegam ao organismo processados e o estômago não tem que trabalhar, e é o gasto energético para processar os alimentos que faz com que a gente emagreça, então quanto mais difícil de ser processado um alimento for, mais tempo sem fome e menos fácil de engordar. Portanto, opte sempre pelos carboidratos e alimentos integrais.

Veja lista de alguns alimentos e seu IG
Amendoim (21)
Lentilhas (38)
Leite integral (39)
Leite desnatado (46)
Iogurte com sacarose (48)
Sopa de tomate (54)
Espaguete (59)
Ervilhas (68)
Arroz parboilizado (68)
Feijão cozido (69)
Inhame (73)
Batata doce (77)
Aveia (78)
Pipoca (79)
Arroz integral (79)
Arroz branco (81)
Banana (83)
Sorvete (84)

Quantos às frutas e seus derivados,
observe a diferença entre elas, e escolha as com menor IG
Cerejas (32)
Damasco seco (44)
Pêra (53)
Maçã (54)
Ameixa (55)
Suco de maçã (58)
Pêssego (60)
Laranja (63)
Uvas (66)
Suco de Abacaxi (66)
Pêssego em caldas (67)
Suco de laranja (74)
Kiwi (75)
Banana (77)
Coquetel de frutas (79)
Manga (80)
Passas (91)
Melancia (103)

Como Funciona
O método Ravenna funciona e emagrece mesmo pois alia alguns pontos que se seguidos à regra não tem como falhar. Ingestão de pouquíssimas calorias, prática de exercícios físicos e apoio psicológico para acabar com a compulsão alimentar. Ele tem duas fases, a do emagrecimento e da manutenção e é sustentada em três pilares, corte, medida e distância. Corte de calorias, redução de medidas e distância da compulsão

Período de Emagrecimento
Durante o período de emagrecimento, que é a primeira fase do programa, a pessoa deverá excluir totalmente do seu cardápio alimentos com farinha branca, chamados carboidratos simples. Esta seria uma espécie de Dieta do Índice Glicêmico (IG) pois a ideia é a mesma, uma vez que os alimentos com alto IG liberam energia rapidamente, dando sensação de fome muito rapidamente.
Portanto, o ideal é cortar este tipo de alimento e substituir por carboidratos complexos, como os alimentos de grãos integrais, alimentos ricos em fibras, frutas, verduras e cereais. Os alimentos com baixo índice glicêmico liberam glicose aos poucos no sangue aumentando a sensação de saciedade. Com isso o corpo vai ser obrigado a queimar a gordura do corpo para transformar em energia. Com estas substituições no cardápio o apetite diminui. Os três primeiros dias serão bastante difíceis pois a ingestão de calorias é bem reduzida, em média 800 a 1200 calorias por dia, variando com o tipo de pessoa, e se homem ou mulher e de acordo com metabolismo basal de cada indivíduo.
No período de emagrecimento também estão proibidos os alimentos com açúcar, qualquer tipo de doce no geral, e as comidas gordurosas.
A perda de peso nesta fase varia de pessoa para pessoa e com o metabolismo de cada um, mas é normal as mulheres perderem cerca de 5% a 7% do seu peso no primeiro mês e os homens ficam na faixa de 7% a 10%.
Durante o a primeira fase é necessário o uso de suplementos alimentares pois a redução de alimentos faz com que as pessoas não comam a quantidade de nutrientes suficientes para a manutenção da saúde, correndo o risco ter deficiência de vitaminas e minerais, assim, a recomendação de um complemento vitamínico é importante para uma alimentação saudável.

Fase de Manutenção
Depois que as pessoas perdem peso e começam a ver os resultados, elas conseguem seguir a dieta com mais determinação e força de vontade, pois sabem que é possível. Neste momento as pessoas já estão tendo uma reeducação alimentar e já conseguem melhores resultados pelo acompanhamento da equipe terapêutica, e acompanhamento psicológico. A Terapia Cognitivo Comportamental ajuda a mudar a necessidade das pessoas em comerem por ansiedade e na sua relação com o corpo. A fase de manutenção tem o reingresso dos alimentos, porém de forma moderada, e dura a vida toda, porém sem sacrifícios pois a dieta passa a ser um estilo de vida.

O Diferencial
A diferença do Método Ravenna para as outras dietas é que ele não prega a alimentação de três em três horas como a maioria; são apenas quatro refeições, café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. Outra diferença do método é o ritual da comida. Todas as refeições iniciam-se com um líquido quente para acalmar, como um caldo, sopa ou chá, tirando a ansiedade as pessoas se alimentam melhor e sentem-se melhor saciadas. O almoço e o jantar é sempre iniciado com uma sopa quente, depois um prato de salada para dar saciedade, só depois vem o prato principal com uma proteína e ao final a sobremesa.
A prática de exercícios físicos também está dentro do Método Ravenna, mas como as pessoas fazem uso de poucas calorias, os exercícios devem ser moderados, avaliados caso a caso pelo educador físico. O treino ajuda a fortalecer os músculos, perder medidas e aumenta a autoestima.

Reeducação Alimentar: Princípios
Conheça mais sobre a reeducação alimentar e mude sua relação com a comida. Descubra que há diferença entre alimentar e comer e dicas de como emagrecer comendo coisas gostosas.

Beleza e Fitness, Nutrição, Saúde
Muito se fala sobre dietas, mas pouco se fala sobre reeducação alimentar. As dietas são boas quando são balanceadas e produzem um emagrecimento saudável. Dietas milagrosas com cortes drásticos não são adequadas, pois acabam denegrindo a saúde e não tem efeito permanente.
O ideal é se reeducar, ter novos hábitos alimentares e de vida para que você possa emagrecer e manter o peso sem sacrifícios e permanentemente.
O grande problema é que no dia a dia corrido dos tempos atuais parece que alimentar de forma errada é mais prático que alimentar corretamente. Temos a impressão que comer um sanduíche ao invés de um prato de comida é mais rápido e fácil. São esses pensamentos e costumes que nos atrapalham. O que temos que aprender é que perder peso e ser saudável é simples, fácil e barato, basta mudar a forma como pensamos e como comemos.

Alimentar e Comer
Alimentar e comer devem ser consideradas coisas diferentes. Alimentar soa como abastecer-se, estar provido de alimentos para que seu corpo funcione bem e comer dá-nos a impressão de ser aquilo que se coloca na boca, aquilo que se degusta. Alimentamo-nos até mesmo por sonda se for necessário, mas comemos apenas pela boca. E é isso que tem que se ter em mente ao buscar uma vida saudável, mas também prazerosa. Gostamos de comer, de sentir o gosto dos alimentos e por isso não nos alimentamos, por exemplo, exclusivamente de pílulas devidamente balanceadas para ter um corpo perfeito. O grande desafio é saber conciliar isso aí, alimentar de forma saudável comendo coisas gostosas.

Comer por ansiedade
É por isso que é tão importante a reeducação alimentar, para que possamos comer bem e manter a forma. Evitar abusos, evitar a gula. Uma primeira dica para se educar é saber diferenciar quando se está com fome de quando está com vontade de comer. Pessoas ansiosas tendem a comer mesmo sem fome. Então se você tem percebido que come mais por ansiedade que por fome talvez seja a hora de procurar um médico, um psiquiatra de preferência ou mesmo um psicólogo, e explicar a situação. Controlar essa crise de ansiedade pode lhe diminuir alguns quilos na balança.

Comer o que é gostoso
Outro passo importante é comer somente o que é realmente gostoso. Assim você vai emagrecer comendo apenas coisas gostosas. Muitas vezes a gente compra um doce, um chocolate, ou qualquer outra coisa, começa a comer, não acha tão bom assim e mesmo assim come tudo. Desta forma, você não teve prazer em comer e ainda ingeriu algo com muitas calorias. Uma boa dica é “não engorde com coisa ruim”.

Comer como em degustação de buffet
Você já foi à uma degustação de buffet? Na degustação são oferecidos muitos salgadinhos e doces e não temos como comer tudo o que eles oferecem, porém precisamos saber o sabor de tudo para fazer a melhor escolha para a festa que estamos contratando. Então o jeito é comer apenas um pedacinho de cada. No dia a dia claro que não sairemos por aí dando uma mordidinha aqui e outra ali, mas podemos sim comer apenas para saber o gosto, apenas o suficiente para provar, e não há necessidade de comer exageradamente até sentir-se cheio; seja educado, comeu, viu que é gostoso, se satisfez, pronto. Pare por aí.

O importante é sempre ter em mente o seu foco, o seu desejo de uma vida saudável e um corpo bonito e comer bem, sem exageros, mas sem privações.

Carboidratos são fontes de energia e aliados do cérebro
O macronutriente também protege os músculos e contribui para o bom humor
POR BRUNA STUPPIELLO
Carboidrato é um macronutriente formado fundamentalmente por moléculas de carbono, hidrogênio e oxigênio. Este macronutriente quando ingerido e absorvido é responsável por liberar glicose e fornecer energia para as células. 

Tipos de carboidratos
De acordo com a quantidade de átomos de carbono em suas moléculas, os carboidratos podem ser divididos em: 
-      Monossacarídeos: Apresentam de 3 a 7 carbonos em sua estrutura: glicose, frutose e galactose
-      Dissacarídeos: Resultado da ligação entre dois monossacarídeos:sacarose, maltose e lactose
-      Polissacarídeos: Moléculas formadas através da união de vários monossacarídeos. Alguns apresentam em sua fórmula átomos de nitrogênio e enxofre:amido e celulose.

Fazem parte dos monossacarídeos os seguintes tipos de carboidratos:
-      Glicose: Açúcar presente no xarope de milho e no mel
-      Frutose: Açúcar presente nas frutas
-      Galactose: Não é encontrado livre na natureza. Combinado com a glicose forma a lactose. Está presente no leite e nos produtos lácteos.

Fazem parte dos dissacarídeos os seguintes carboidratos:
-      Sacarose: Açúcar de mesa. Extraído da cana de açúcar, da beterraba, da uva e do mel
-      Maltose: É o açúcar do malte. Não é encontrado livre na natureza. É obtido pela indústria através da fermentação de cereais em germinação, tais como a cevada
-      Lactose: É o açúcar do leite. Sintetizado nas glândulas mamarias dos mamíferos.

Fazem parte dos polissacarídeos os seguintes carboidratos:
-      Amido: Ele é a reserva energética dos vegetais. Estão presentes nos grãos e cereais como trigo, aveia, centeio, cevada, milho, arroz, raízes e tubérculos como mandioca, batatas e inhame
-      Celulose: A celulose está presente nas frutas, hortaliças, legumes, grãos, nozes e cascas de sementes.

Carboidratos simples e complexos
Os carboidratos simples possuem estrutura química molecular de tamanho reduzido (monossacarídeos e dissacarídeos). A digestão e absorção dos carboidratos simples acontece rapidamente levando a um aumento dos níveis de glicose no sangue (glicemia). Exemplos de alimentos que são fontes de carboidratos simples: frutas, mel, xarope de milho, açúcar. 

Os carboidratos complexos possuem estrutura química maior (polissacarídeos). Por ser uma molécula maior são digeridos e absorvidos mais lentamente, ocasionando aumento gradual da glicemia. Exemplos de alimentos fontes de carboidratos deste grupo: arroz integral, batata doce, massa integral. 

Benefícios comprovados do carboidrato

Fonte de energia: Ao ingerimos carboidratos, temos glicose na corrente sanguínea constantemente, esta é a principal molécula que fornece energia para as células do corpo. 

Aliado do cérebro: O cérebro é um dos órgãos que não funcionam sem glicose disponível na corrente sanguínea, quando há uma diminuição no consumo deste nutriente há uma produção exagerada de corpos cetônicos, uma vez que o organismo utiliza proteínas como fonte de energia. Esses corpos cetônicos podem levar a uma intoxicação no indivíduo levado a sintomas indesejáveis como dores de cabeça, mau hálito, tremores e até desmaios. 
Macarrão é uma boa fonte de carboidratos simples

Protege os músculos: Quando nosso corpo possui as quantidades corretas de carboidratos, não é necessário utilizar a energias das proteínas. Assim, as proteínas podem ser utilizadas para reparar os músculos que sofreram microlesões devido à prática de exercícios. Esses músculos são reparados e ficam mais fortes. 

Proporcionam saciedade: Este benefício vale somente para os carboidratos complexos. Isto porque eles possuem estrutura química maior (polissacarídeos). Por ser uma molécula maior, são digeridos e absorvidos mais lentamente, ocasionando aumento gradual da glicemia e saciedade por maior tempo. Este mesmo mecanismo faz com que os carboidratos complexos sejam o tipo indicado para diabéticos. 

Aliado do humor e bem-estar: A diminuição do consumo de carboidratos pode afetar a produção de serotonina, um neurotransmissor capaz de influenciar o humor e o bem estar dos indivíduos. 


Deficiência de carboidratos
A falta de carboidratos pode levar a uma depleção do sistema imunológico, uma vez que nossos músculos são os responsáveis em fornecer glutamina para formação de células imunes. Na falta de carboidratos, os músculos são afetados, já que como foi dito acima, as proteínas passam a ser utilizadas como fonte de energia. 

O indivíduo que restringe o consumo de carboidratos pode ter falta de energia e fadiga principalmente se praticar atividade física. Os músculos são responsáveis por armazenar glicogênio (glicose) para fornecimento de energia para a atividade física. Esse estoque de glicogênio dura em média 1 hora, após isso devemos consumir o carboidrato a fim de recuperar os estoques de glicogênio muscular. 

Caso o indivíduo não tenha glicose disponível para a utilização nas células, como nos casos de jejum ou dietas restritivas, os lipídios serão oxidados, formando uma quantidade excessiva de cetonas que poderão causar uma acidose metabólica no organismo, podendo levar a sintomas como dores de cabeça, tontura, mau hálito. Os principais sintomas da falta de carboidratos na dieta são: cansaço, tontura, náuseas, nervosismo, fraqueza e tremores. 

Estudos publicados no American Journal of Nutrition (2001) e na Revista Brasileira de Nutrição Clínica apontam que o desequilíbrio na proporção dos macronutrientes pode ser prejudicial à saúde, uma vez que a troca de carboidratos por proteínas leva o indivíduo a um quadro de cetose, acarretada pela restrição da glicose. As repercussões adversas da cetose incluem desidratação, constipação, litíase renal e deficiência de micronutrientes, pela diminuição do consumo de frutas, vegetais e grãos, junto com o aumento da ureia e do ácido úrico pelo excesso de proteínas na dieta.
 
Combinações dos carboidratos
É interessante combinar os carboidratos com o consumo de proteínas ou gorduras. Assim, o tempo de digestão deste macronutriente é maior, o que irá proporcionar saciedade por mais tempo, evitando beliscos. 

Fontes de carboidratos
As principais fontes de carboidratos são: mel, pães, torradas, batata, arroz, cereais integrais como aveia, linhaça, farelo de trigo, milho e frutas. 
Confira um exemplo de consumo de carboidratos em um dia: 
-      2 fatias de pão integral = 50g
-      1 maçã = 16,6g
-      2 colheres de servir de arroz integral = 25,8g
-      1 concha pequena de feijão = 6,8 g
-      4 unidades de biscoito integral = 19g
-      Suco de laranja = 17,4g
-      1 prato fundo de macarrão cozido = 53,6 g
-      1 caqui = 19,0g.

Quantidade recomendada de carboidratos
A Organização Mundial da Saúde preconiza que a distribuição dos macronutrientes para indivíduos saudáveis seja de: 55 a 75% de carboidratos, 10 a 15% de proteínas e15 a 30% de gorduras. Se um indivíduo possui um gasto energético de 2000 calorias ao dia, poderia consumir de 1100 kcal a 1500 kcal provenientes de carboidratos. Em gramas teríamos uma porção de 275g a 375g de carboidratos. 
Batata doce é uma boa fonte de carboidratos complexos
Porém, é importante dar preferência aos carboidratos integrais e ao presente nas frutas que possuem mais fibras em sua composição. Assim, são digeridos mais lentamente no estômago, evitando o que chamamos de pico glicêmico, ou seja, quando uma quantidade muito grande de glicose é liberada na corrente sanguínea, o que pode aumentar o risco de sobrepeso, obesidade e doenças como a resistência à insulina. 

Carboidratos engordam
Os nutrientes devem ser consumidos de acordo com uma distribuição estabelecida por pesquisas e instituições científicas, como foi mencionado acima. Um desequilíbrio no consumo de qualquer um dos macronutrientes pode aumentar os riscos de acúmulo de peso. Os carboidratos são vistos como vilões uma vez que ao serem consumidos em excesso a insulina transforma o excesso de glicose em triacilglicerol, um tipo de gordura que fica armazenada no tecido adiposo.
 
Carboidratos e diabéticos
É importante que as pessoas com diabetes priorizem os carboidratos complexos, estes possuem baixo índice glicêmico, que é a velocidade com que a glicose entra no organismo. Outro ponto é que estes carboidratos tenham baixa carga glicêmica, que é quantidade de glicose que irá entrar no organismo. 

Riscos do consumo em excesso de carboidratos
Pesquisas apontam que o excesso do consumo de alimentos fonte de carboidrato podem acarretar no ganho de peso e aumento dos níveis de triglicerídeos sanguíneos. O risco de diabetes tipo 2 também aumentam. Isto porque o consumo exagerado de carboidratos, principalmente os não integrais pode levar ao aumento significativo da liberação de insulina no sangue. Com este aumento de insulina crônico pode ocorrer uma resistência dos receptores insulínicos nas células, fazendo com que a glicose permaneça no sangue e não seja absorvida para as células. 




Cardápio de um dia da dieta Ravenna

Café da manhã
- 1 pote (200 ml) de iogurte natural desnatado adoçado com sucralose ou estévia
- 1 pires (chá) de fruta picada (melão, morango ou pera)

Almoço
- 1 cumbuca (pequena) de sopa de abóbora com brócoli
- 1 prato (raso) de salada de alface, rúcula e agrião, temperada com 1 fio de azeite de oliva extravirgem, vinagre a gosto e 1 pitada de sal
- 1 filé médio de carne magra
- 1 col. (servir) de arroz integral
- 1 banana-prata com canela
- 1 café expresso

Lanche da tarde
- 2 torradas de abóbora, sem glúten e sem açúcar (à venda em lojas de produtos naturais)
- 1 queijo tipo Polenghi

Jantar
- 1 cumbuca (pequena) de sopa de legumes picados (vagem, cenoura, chuchu e aipo)
- 1 prato (raso) de salada com 1 pepino e 1 tomate cortados em rodelas e alface à vontade, temperada com 1 fio de azeite extravirgem, vinagre a gosto e 1 pitada de sal
- 1 pires (chá) de picadinho de frango com pimentão e batata
- 1 tigela de gelatina diet
- 1 xíc. de chá branco


Café da Manhã
- Caldos e sopas antes do prato principal é uma das estratégias do Método Ravenna.
- 1 xícara de chá branco quente adoçado com stévia
1 pote de iogurte natural desnatado
2 fatias de melão
Almoço
- 1 prato raso de salada de folhas verde, como alface, rúcula e agrião. Temperada apenas com um fio de azeite e gotas de limão, orégano e pitada mínima de sal
- 1 filé médio de salmão grelhado
- 4 colheres de sopa de arroz integral
Sobremesa
-      1 banana prata aquecida no micro-ondas com canela
- 1 café expresso adoçado com stévia ou sucralose
Lanche da Tarde
-      1 xícara de chá de hortelã quente adoçado com adoçante (tomar o chá primeiro)
-      2 torradas sem glútem
-      1 queijo tipo Polenguinho
Jantar
-      1 tigela pequena da mesma sopa do almoço ou similar
-      1 prato raso de salada verde com pepino e tomates, o alface é à vontade.
-      1 pires de guisado de frango com pimentão
-      5 batatas bolinhas feitas à sauté
Sobremesa
-      1 porção de gelatina diet
-      1 xícara de chá de camomila adoçado com stévia

Dica: Nos outros dias varie as frutas, as carnes e os tipos de sopa. Cuidado para não sair do padrão, apenas 4 refeições por dia, baixas calorias e prato quente antes das refeições! Desejamos bons resultados!